EMILY DICKINSON

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EMILY DICKINSON nasceu nos Estados Unidos, em 1820. Vivendo no mais completo isolamento, somente alguns poemas de sua autoria foram publicados durante a sua vida. De intensa emoção concentrada, sua poesia é única e antecipatória em termos de densidade léxica e liberdade sintática.
Foi após seu falecimento, em 1866, que se editaram as suas obras: Poemas (1890) e Correspondência (1896).
De acordo com Augusto de Campos: “Cruzam-se em sua poesia os traços de um panteísmo espiritualizado, de uma solidão-solitude, ora serena ora desesperada, e de uma visão abismal do universo e do ser humano. Micro e macrocosmo compactados em aforismos poéticos”.
Este blog apresenta as versões originais de I DIED FOR BEAUTY com traduções de Augusto de Campos e Cecília Meirelles e A word is dead em tradução de José Lino Grunewald.

I DIED FOR BEAUTY
Emily Dickinson 
 
I died for Beauty — but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One who died for Truth, was lain
In an adjoining room —
He questioned softly “Why I failed”?
“For Beauty”, I replied —
“And I — for Truth — Themself are One —
We Brethren, are”, He said —
And so, as Kinsmen, met a Night —
We talked between the Rooms —
Until the Moss had reached our lips —
And covered up — our names —

MORRI PELA BELEZA
Tradução: Augusto de Campos
 
Morri pela beleza – e assim que no Jazigo
Meu Corpo foi fechado,
Um outro Morto foi depositado
Num Túmulo contíguo –
“Por que morreu?” murmurou sua voz.
“Pela Beleza” – retruquei –
“Pois eu – pela Verdade – É o mesmo. Nós
Somos Irmãos. É uma só lei” –
E assim Parentes pela Noite, sábios –
Conversamos a Sós –
Até que o Musgo encobriu nossos lábios –
E – nomes – logo após –
 
* 

MORRI PELA BELEZA
Tradução: Cecília Meirelles
 
Morri pela beleza e ainda não estava
Meu corpo à tumba acostumado
Quando alguém que morreu pela verdade
Foi posto do outro lado.
Brandamente indagou: Por que morreste?
Pela beleza disse. Pois
Eu, foi pela verdade. Ambas são o mesmo.
Somos irmãos, os dois.
E assim, parentes de noite encontrados,
Conversamos entre as paredes,
Até que o musgo nos chegasse aos lábios
Nossos nomes cerrando em suas redes.
 
***
 
A word is dead
Emily Dickinson
 
A word is dead
When it is said,
Some say.
I say it just
Begins to live
That day.
 
Palavra é morta
Tradução: José Lino Grunewald
 
Palavra é morta
Quando está dita,
Dizem uns.
Digo:inicia
A só viver
Em tal dia.
 

O poema “A word is dead” é citado frequentemente como exemplo da técnica pré-modernista de Dickinson, muito bem explicada por José Lino Grunewald: “(…) poemas concisos, curtos, versos secos e precisos (a profundidade captada num breve flash verbal). Em matéria de quantidade de palavras ou linhas, iam quase sempre apenas um pouco além do haicai ou do epigrama“.

*

Vale acrescentar 2 traduções dos poemas de Emily Dickinson pelo poeta modernista Manuel Bandeira.

 
À PORTA DE DEUS
Tradução: Manuel Bandeira
 
Duas vezes perdi tudo
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendigo
À porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me das minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!
 
*
NUNCA VI UM CAMPO DE URZES
Tradução: Manuel Bandeira
 
Nunca vi um campo de urzes.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei a urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no céu,
Nem vi Deus, Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.

*

1. dicas de livros em português:

Emily Dickinson: Alguns Poemas, Editora Iluminuras, José Lira, 2006
Emily Dickinson: Não sou Ninguém, Editora Unicamp, Augusto de Campos, 2008
Emily Dickinson: Loucas Noites/ Wild Nights, Tradução de Isa Mara Lando, Disal Editora, 2010

2. obras originais:

Poems by Emily Dickinson – Organização de Mabel Loomis Todd & T. W. Higginson. Boston: Robert Brothers, 1890.
The poems of Emily Dickinson, 3 volumes. Organização de Thomas H. Johnson. Cambridge: The Belknap Press, Harvard University Press, 1955.
The letters of Emily Dickinson, 3 volumes. Organização de Thomas H. Johnson & Theodora Ward. Cambridge: The Belknap Press, Harvard University, 1958.
The complete poems of Emily Dickinson. Organização de Thomas H. Johnson. Boston e Toronto: Little, Brown and Company, 1960.
The manuscript books of Emily Dickinson, 2 volumes. Organização de R. W. Franklin. Cambridge e Londres: The Belknap Press, Harvard University Press, 1981.
The masters letters of Emily Dickinson. Organização de R. W. Franklin. Amherst: Amherst College Press, 1986.
The poems of Emily Dickinson. Organização de R. W. Franklin. Cambridge e Londres: The Belknap Press, Harvard University Press, 1999.

3. dicas de sites:

http://www.arlindo-correia.com/180700.html

http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet067.htm

http://www.releituras.com/edickinson_menu.asp

http://www.germinaliteratura.com.br/ed.htm

http://www.rubemalves.com.br/poemadeemilydickison.htm

museu de Emily Dickinson: http://www.emilydickinsonmuseum.org/

4. teses:

http://repositorio-aberto.up.pt/simple-search?query=emily+dickinson&submit=Enviar

***

Ângelo Luís

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