ÁLVARES DE AZEVEDO

ÁLVARES DE AZEVEDO

Manuel Antônio ÁLVARES DE AZEVEDO nasceu em São Paulo em 1831, mas passou a infância no Rio de Janeiro. Depois de se ter formado em letras no Colégio Pedro II, foi cursar a faculdade de Direito de São Paulo, onde se tornou famoso por brilhantes e precoces produções literárias. Todavia, ÁLVARES DE AZEVEDO não completou o curso superior, pois adoeceu de tuberculose pulmonar. Faleceu no Rio de Janeiro em 1852, enquanto passava férias, com 21 anos incompletos. Ao passear a cavalo pelas ruas do Rio, sofreu uma queda, que trouxe à tona um grave tumor na fossa ilíaca. A saúde do poeta piorou drasticamente e sofrendo de dores terríveis, foi operado – sem anestesia, de acordo com relatos de seus familiares – e, após 46 dias de sofrimento, faleceu no Domingo de Páscoa, 25 de abril.
A obra, em livro, de ÁLVARES DE AZEVEDO é toda póstuma. Um ano após a morte do poeta publicaram-se as Obras Completas, em 1853. Publicou em vida, porém, entre 1848 e 1851, alguns poemas, artigos e discursos.
Em sua época de estudante da Faculdade de Direito de São Paulo, Álvares de Azevedo conheceu e tornou-se grande amigo de Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, também poetas e boêmios.
Muitas lendas envolvem a relação de amizade entre Álvares de Azevedo e os dois amigos boêmios: eram prováveis membros da Sociedade Epicuréia, sociedade secreta que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos. A autenticidade desses fatos não é reconhecida por seus biógrafos mais respeitáveis.
Entretanto, a lenda em torno de ÁLVARES DE AZEVEDO contribuiu para que se difundisse a sua imagem de “Byron brasileiro”.
A partir da primeira publicação seguiram-se várias edições reunindo seus poemas, prosa e teatro.
A vida de ÁLVARES DE AZEVEDO foi marcada pelo tédio de uma cidade sem divertimentos e onde toda a vida intelectual se concentrava no ambiente liberal da Academia. A intensa saudade da mãe e de uma irmã ainda criança, que foram os afetos mais profundos de sua existência, a estranha ausência de qualquer sentimento amoroso bem definido e a impressão deixada no poeta pela leitura dos românticos europeus, atingidos pelo mal do século explicam o caráter de sua obra que se caracteriza pelas notas desabusadas, irônicas, por vezes intencionalmente prosaicas que se alternam com outras que lhe eram mais pessoais como, por exemplo: a timidez, o erotismo, as afeições familiares, os sentimentos melancólicos oriundos de uma saúde precária e a obsessão do poeta pela morte.
ÁLVARES DE AZEVEDO foi intensamente influenciado por Lord Byron e Musset, em especial pelos temas da melancolia e a presença constante de temas que remetiam à morte.
O anelo do coração inexperiente e, no entanto, ávido de amores é uma nota constante e a mais pura, a mais genuína de sua poesia. A realidade parecia zombar de tantos sonhos delirantes: a pálida donzela, a visão pensativa e lânguida, como ele a desejava e não aparecia.
O anseio insatisfeito se resolvia em funda nostalgia, num vago pressentimento de morte prematura inspirador dos dois mais tristes e também mais conhecidos poemas de sua lírica: “Lembrança de morrer” e “ Se eu morresse amanhã”.
De acordo com Liliane Machado, citando a análise de Antonio Candido em Formação da Literatura Brasileira: “Álvares de Azevedo sofre, como o adolescente, o fascínio do conhecimento e se atira aos livros com ardor, mas, ao mesmo tempo, é suspenso a cada passo pela obsessão de algo maior, a que não ousa entregar-se: a própria existência, que escorrega entre os dedos inexpertos.”
A análise de Luciana Stegagno-Picchio, também citada por Liliane Machado, observa a gênese da poesia de Álvares de Azevedo estreitamente ligada às influências literárias do autor: Paulista de nascimento e de aculturação acadêmica, iria concluir aos vinte e um anos incompletos, ceifado por um tumor, uma parábola literária nascida sob o signo de Byron e em geral dos românticos ingleses, mas nutrida de cultura francesa (Musset, Nerval, Vigny, Gautier, mas também Lamartine e Victor Hugo), alemã (Hoffmann e Goethe) e quiçá também italiana (Leopardi). Ultra Romantismo, Fase Byroniana ou Mal do Século são termos que definem a segunda geração romântica da poesia brasileira e que tem em Álvares de Azevedo seu maior representante.

***

Lembrança de morrer

No more! o never more!
SHELLEY.

Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo….
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—

Sombras do vale, noites da montanha
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua prantear-me a lousa!

*

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

*

Idéias Íntimas

Fragmento
La chaise où je m’assieds, la natte où je me couche,
La table ou je t’écris ………………………………………….
………………………………………………………………………..
Mes gros souliers ferrés, mon baton, mon chapeau,
Mês libres pêle-mêle entassés sur leur planche.
………………………………………………………………………..
De cet espace étroit sont tout l’ameublement.
LAMARTINE, Jocelyn

I

Ossian — o bardo é triste como a sombra
Que seus cantos povoa. O Lamartine
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas…
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda,
— Fibra de amor e Deus que um sopro agita!
Se desmaia de amor… a Deus se volta,
Se pranteia por Deus… de amor suspira.
Basta de Shakespeare. Vem tu agora,
Fantástico alemão, poeta ardente
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
Do nobre Johannisberg! Nos teus romances
Meu coração deleita-se… Contudo,
Parece-me que vou perdendo o gosto,
Vou ficando blasé: passeio os dias
Pelo meu corredor, sem companheiro,
Sem ler, nem poetar… Vivo fumando.
Minha casa não tem menores névoas
Que as deste céu d’inverno… Solitário
Passo as noites aqui e os dias longos…
Dei-me agora ao charuto em corpo e alma:
Debalde ali de um canto um beijo implora,
Como a beleza que o Sultão despreza,
Meu cachimbo alemão abandonado!
Não passeio a cavalo e não namoro,
Odeio o lasquenet… Palavra d’honra!
Se assim me continuam por dois meses
Os diabos azuis nos frouxos membros,
Dou na Praia Vermelha ou no Parnaso.

II

Enchi o meu salão de mil figuras.
Aqui voa um cavalo no galope,
Um roxo dominó as costas volta
A um cavaleiro de alemães bigodes,
Um preto beberrão sobre uma pipa,
Aos grossos beiços a garrafa aperta…
Ao longo das paredes se derramam
Extintas inscrições de versos mortos,
E mortos ao nascer!… Ali na alcova
Em águas negras se levanta a ilha
Romântica, sombria, à flor das ondas
De um rio que se perde na floresta…
— Um sonho de mancebo e de poeta,
El-Dorado de amor que a mente cria,
Como um Éden de noites deleitosas…
Era ali que eu podia no silêncio
Junto de um anjo… Além o romantismo!
Borra adiante folgaz caricatura
Com tinta de escrever e pó vermelho
A gorda face, o volumoso abdômen,
E a grossa penca do nariz purpúreo
Do alegre vendilhão entre botelhas,
Metido num tonel… Na minha cômoda
Meio encetado o copo, inda verbera
As águas d’oiro do Cognac ardente:
Negreja ao pé narcótica botelha
Que da essência de flores de laranja
Guarda o licor que nectariza os nervos.
Ali mistura-se o charuto havano
Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo…
A mesa escura cambaleia ao peso
Do titâneo Digesto, e ao lado dele
Childe-Harold entreaberto… ou Lamartine
Mostra que o romantismo se descuida
E que a poesia sobrenada sempre
Ao pesadelo clássico do estudo.

III

Reina a desordem pela sala antiga,
Desce a teia de aranha as bambinelas
À estante pulvurenta. A roupa, os livros
Sobre as poucas cadeiras se confundem.
Marca a folha do Faust um colarinho
E Alfredo de Musset encobre, às vezes
De Guerreiro, ou Valasco, um texto obscuro.
Como outrora do mundo os elementos
Pela treva jogando cambalhotas,
Meu quarto, mundo em caos, espera um Fiat!

IV

Na minha sala três retratos pendem:
Ali Victor Hugo. — Na larga fronte
Erguidos luzem os cabelos louros,
Como c’roa soberba. Homem sublime!
O poeta de Deus e amores puros!
Que sonhou Triboulet, Marion Delorme
E Esmeralda — a Cigana… E diz a crônica
Que foi aos tribunais parar um dia
Por amar as mulheres dos amigos
E adúlteros fazer romances vivos.

V

Aquele é Lamennais — o bardo santo,
Cabeça de profeta, ungido crente,
Alma de fogo na mundana argila
Que as harpas de Sion vibrou na sombra,
Pela noite do século chamando
A Deus e à liberdade as loucas turbas.
Por ele a George Sand morreu de amores,
E dizem que… Defronte, aquele moço
Pálido, pensativo, a fronte erguida,
Olhar de Bonaparte em face austríaca,
Foi do homem secular as esperanças:
No berço imperial um céu de agosto
Nos cantos de triunfo despertou-o…
As águias de Wagram e de Marengo
Abriam flamejando as longas asas
Impregnadas do fumo dos combates
Na púrpura dos Césares, guardando-o…
E o gênio do futuro parecia
Predestiná-lo à glória. A história dele?…
Resta um crânio nas urnas do estrangeiro…
Um loureiro sem flores nem sementes…
E um passado de lágrimas… A terra
Tremeu ao sepultar-se o Rei de Roma
Pode o mundo chorar sua agonia
E os louros de seu pai na fronte dele
Infecundos depor… Estrela morta,
Só pode o menestrel sagrar-te prantos!

VI

Junto a meu leito, com as mãos unidas,
Olhos fitos no céu, cabelos soltos,
Pálida sombra de mulher formosa
Entre nuvens azuis pranteia orando.
É um retrato talvez. Naquele seio
Porventura sonhei douradas noites,
Talvez sonhando desatei sorrindo
Alguma vez nos ombros perfumados
Esses cabelos negros e em delíquio
Nos lábios dela suspirei tremendo,
Foi-se a minha visão… E resta agora
Aquele vaga sombra na parede
— Fantasma de carvão e pó cerúleo! —
Tão vaga, tão extinta e fumacenta
Como de um sonho o recordar incerto.

VII

Em frente do meu leito, em negro quadro,
A minha amante dorme. É uma estampa
De bela adormecida. A rósea face
Parece em visos de um amor lascivo
De fogos vagabundos acender-se…
E como a nívea mão recata o seio…
Oh! quanta s vezes, ideal mimoso,
Não encheste minh’alma de ventura,
Quando louco, sedento e arquejante
Meus tristes lábios imprimi ardentes
No poento vidro que te guarda o sono!

VIII

O pobre leito meu, desfeito ainda,
A febre aponta da noturna insônia.
Aqui lânguido à noite debati-me
Em vãos delírios anelando um beijo…
E a donzela ideal nos róseos lábios,
No doce berço do moreno seio
Minha vida embalou estremecendo…
Foram sonhos contudo! A minha vida
Se esgota em ilusões. E quando a fada
Que diviniza meu pensar ardente
Um instante em seus braços me descansa
E roça a medo em meus ardentes lábios
Um beijo que de amor me turva os olhos…
Me ateia o sangue, me enlanguece a fronte…
Um espírito negro me desperta,
O encanto do meu sonho se evapora…
E das nuvens de nácar da ventura
Rolo tremendo à solidão da vida!

IX

Oh! ter vinte anos sem gozar de leve
A ventura de uma alma de donzela!
E sem na vida ter sentido nunca
Na suave atração de um róseo corpo
Meus olhos turvos se fechar de gozo!
Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas
Passam tantas visões sobre meu peito!
Palor de febre meu semblante cobre,
Bate meu coração com tanto fogo!
Um doce nome os lábios meus suspiram,
Um nome de mulher… e vejo lânguida
No véu suave de amorosas sombras
Seminua, abatida, a mão no seio,
Perfumada visão romper a nuvem,
Sentar-se junto a mim, nas minhas pálpebras
O alento fresco e leve como a vida
Passar delicioso… Que delírios!
Acordo palpitante… inda a procuro:
Embalde a chamo, embalde as minhas lágrimas
Banham meus olhos, e suspiro e gemo…
Imploro uma ilusão… tudo é silêncio!
Só o leito deserto, a sala muda!
Amorosa visão, mulher dos sonhos,
Eu sou tão infeliz, eu sofro tanto!
Nunca virás iluminar meu peito
Com um raio de luz desses teus olhos?

X

Meu pobre leito! eu amo-te contudo!

Aqui levei sonhando noites belas;
As longas horas olvidei libando
Ardentes gotas de licor dourado,
Esqueci-as no fumo, na leitura
Das páginas lascivas do romance…

Meu leito juvenil, da minha vida
És a página d’oiro. Em teu asilo
Eu sonho-me poeta e sou ditoso…
E a mente errante devaneia em mundos
Que esmalta a fantasia! Oh! quantas vezes
Do levante no sol entre odaliscas
Momentos não passei que valem vidas!
Quanta música ouvi que me encantava!
Quantas virgens amei! que Margaridas,
Que Elviras saudosas e Clarissas,
Mais trêmulo que Faust, eu não beijava…
Mais feliz que Don Juan e Lovelace
Não apertei ao peito desmaiando!

Ó meus sonhos de amor e mocidade,
Porque ser tão formosos, se devíeis
Me abandonar tão cedo… e eu acordava
Arquejando a beijar meu travesseiro?

XI

Junto do leito meus poetas dormem
— O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron
Na mesa confundidos. Junto deles
Meu velho candeeiro se espreguiça
E parece pedir a formatura.
Ó meu amigo, ó velador noturno,
Tu não me abandonaste nas vigílias,
Quer eu perdesse a noite sobre os livros,
Quer, sentado no leito, pensativo
Relesse as minhas cartas de namoro…
Quero-te muito bem, ó meu comparsa
Nas doudas cenas de meu drama obscuro!
E num dia de spleen, vindo a pachorra,
Hei de evocar-te dum poema heróico
Na rima de Camões e de Ariosto,
Como padrão às lâmpadas futuras!
…………………………………………………………………..

XII

Aqui sobre esta mesa junto ao leito
Em caixa negra dois retratos guardo:
Não os profanem indiscretas vistas.
Eu beijo-os cada noite: neste exílio
Venero-os juntos e os prefiro unidos…
— Meu pai e minha mãe! Se acaso um dia,
Na minha solidão me acharem morto,
Não os abra ninguém. Sobre meu peito
Lancem-os em meu túmulo. Mais doce
Será certo o dormir da noite negra
Tendo no peito essas imagens puras.

XIII

Havia uma outra imagem que eu sonhava
No meu peito, na vida e no sepulcro,
Mas ela não o quis… rompeu a tela,
Onde eu pintara meus dourados sonhos.
Se posso no viver sonhar com ela,
Essa trança beijar de seus cabelos
E essas violetas inodoras, murchas,
Nos lábios frios comprimir chorando,
Não poderei na sepultura, ao menos,
Sua imagem divina ter no peito.

XIV

Parece que chorei… Sinto na face
Uma perdida lágrima rolando…
Satã leve a tristeza! Olá, meu pagem,
Derrama no meu copo as gotas últimas
Dessa garrafa negra…
Eia! bebamos!
És o sangue do gênio, o puro néctar
Que as almas de poeta diviniza,
O condão que abre o mundo das magias!
Vem, fogoso Cognac! É só contigo
Que sinto-me viver. Inda palpito,
Quando os eflúvios dessas gotas áureas
Filtram no sangue meu correndo a vida,
Vibram-me os nervos e as artérias queimam,
Os meus olhos ardentes se escurecem
E no cérebro passam delirosos
Assomos de poesia… Dentre a sombra
Vejo num leito d’ouro a imagem dela
Palpitante, que dorme e que suspira,
Que seus braços me estende…

Eu me esquecia:
Faz-se noite; traz fogo e dois charutos
E na mesa do estudo acende a lâmpada…

*

MEU SONHO

EU
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? — O remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? que mistério…
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…

*

Links úteis:

Perfil de Álvares de Azevedo no site da Academia Brasileira de Letras: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=789&sid=93

Estudo da Obra Lira dos Vinte Anos, por Frederico Barbosa: 
http://fredbar.sites.uol.com.br/lira.html

Análise da Obra Lira dos Vinte Anos, por Machado de Assis:
http://machado.mec.gov.br/arquivos/html/critica/mact14.htm

Álvares de Azevedo: a busca de uma literatura consciente: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=33933

A autoconsciência poética de Álvares de Azevedo (dissertação de Mestrado de Liliane Machado): http://www.letras.ufrj.br/posverna/mestrado/MachadoL.pdf

Possível erro tipográfico do poema Lembrança de Morrer: http://www.jornaldepoesia.jor.br/alvaresdeazevedo.html

Obras de Álvares de Azevedo disponíveis no Domínio Público: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do 

*

Ângelo Luís

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s