Publicado em VIELIMIR KHLÉBNIKOV

VIELIMIR KHLÉBNIKOV

Sem Título…

Vielimir Khlébnikov

Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
Às provas
De
Deus.
Consonha
Em voo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.

1919

(Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

De acordo com Isaac Newton Almeida Ramos, “no prefácio da 1ª edição da antologia Poesia russa moderna (1967), organizada pelos irmãos Campos e Boris Schnairderman, este último não deixa dúvidas quanto à importância de Vielimir Khlébnikov ao lado de Maiakóvski, dois dos grandes poetas futuristas da vanguarda russa do começo do século XX: A irrupção do convencionalmente não-poético, como matéria de poesia, que se manifesta com Khlébnikov, encontra sua plena afirmação na obra de Maiakóvski (SCHNAIDERMAN, 2001). Também afirma que, enquanto a linguagem poética de Khlébnikov tinha um toque rural, e frequentemente arcaico, a de Maiakóvski assumiu um caráter urbano por excelência”.
O poema de Khlébnikov se constitui em belo exercício do fazer poético, maravilhosamente traduzido por Augusto de Campos e Boris Schnaiderman.

*

Ângelo Luís

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