MILONGA DE DOIS IRMÃOS

MILONGA DE DOIS IRMÃOS        (Jorge Luis Borges / Nelson Ascher)

Traga histórias a guitarra
De quando o ferro brilhava,
Cante-nos, sobre carteios,
Cavalos, jogo e garrafa,
Histórias da Costa Brava
E da Trilha dos Tropeiros.

Mesmo aos mais lerdos dará
prazer uma antiga história;
O destino – quem ignora? –
Não faz acordos jamais;
Vejo que esta noite traz
Lembranças do Sul de outrora.

Ouçam, senhores, a história
De dois irmãos, os Iberra,
Homens de amor e de guerra,
Gente incapaz de ser fraca,
Flor dos que lutam com faca,
Mas hoje os recobre a terra.

O homem se perde em geral
Por arrogância ou cobiça,
Mas a coragem que atiça
Sem parar também vicia –
Muito mais mortes devia
O irmão caçula à justiça.

Quando Juan Iberra viu
Que o caçula o superava,
Ele armou-lhe, só de raiva,
Não sei que cilada e, então,
Abateu o próprio irmão
A tiros na Costa Brava.

Depois, sem demora ou pressa,
O estendeu na ferrovia
Para que o trem o esmagasse.
O trem lhe arrancou a face,
Como o mais velho queria.

Assim, de maneira fiel,
Contei do começo ao fim
Essa história: a de Caim
Que segue matando Abel.

*

MILONGA DE DOS HERMANOS          (Jorge Luis Borges)

Traiga cuentos la guitarra
de cuando el fierro brillaba,
cuentos de truco y de taba,
de cuadreras y de copas,
cuentos de la Costa Brava
y el Camino de las Tropas.

Venga una historia de ayer
que apreciarán los más lerdos;
el destino no hace acuerdos
y nadie se lo reproche
ya estoy viendo que esta noche
vienen del Sur los recuerdos.

Velay, señores, la historia
de los hermanos Iberra,
hombres de amor y de guerra
y en el peligro primeros,
la flor de los cuchilleros
y ahora los tapa la tierra.

Suelen al hombre perder
la soberbia o la codicia:
también el coraje envicia
a quien le da noche y día
el que era menor debía
más muertes a la justicia.

Cuando Juan Iberra vio
que el menor lo aventajaba,
la paciencia se le acaba
y le fue tendiendo un lazo
le dio muerte de un balazo,
allá por la Costa Brava.

Así de manera fiel
conté la historia hasta el fin;
es la historia de Caín
que sigue matando a Abel.

*

Ângelo Luís

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