Publicado em Jacqueline K

O urubu

O urubu

Naquele amanhecer um urubu
pelos ares, nos ímpetos perfeitos,
lançava-se das sombras sobre o leito
onde estendido estava um corpo nu…

Em círculos concêntricos no azul
do céu desceu, postou-se ao parapeito
da janela, espreitando o ser desfeito
que, em trevas, lhe clamava: Oh, Belzebu!

Mas que dores atrozes me consomem!…
Minhas vísceras expostas no abdómem
devora co’a ternura dos amantes…

Vem, dissipa esta angústia, Meu Senhor!
Nas feridas que sangro vem depôr
teus venenos, que aos meus são semelhantes!

Jacqueline K
3/5/2012

*

Francisco Settineri

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