Não entendem nada

Não entendem nada      (Maiakóvski /  Augusto de Campos)

Entrei na barbearia e disse, sem espera:
“Por gentileza, penteie-me as orelhas.”
O meloso barbeiro ficou cheio de abelhas,
seu rosto se alongou com uma pêra.
“Mentecapto!
Palhaço!” —
saltaram as palavras.
Insultos relincharam pelo espaço,
e l-o-o-o-o-ngamente
ouviu-se o rinchavelho
de uma cabeça que brotou por entre a gente
como um rabanete velho.

*

Ângelo Luís e Francisco Settineri

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