Soneto ao Suíno e Rei do Inaptos


Soneto ao Suíno     (Francisco Settineri)

Porco escroto a brandir impertinente
De um escasso pensamento o mero toco
Como pode se escapar desse sufoco
Com sua claque que prospera, indigente?

Vocifera, ao sonhar que ainda é gente,
Na verdade só sobrou do dorminhoco
A pocilga e o fartum de um ovo choco
E a titica, que fermenta em sua mente…

Grão-suíno, nas ofensas vai a fundo
Nunca foi de combater o bom combate
Limitado a se esfregar no cocho imundo…

Sem escolha, ao sentir-se em xeque-mate
Acuado, fala mal de todo o mundo
Porco enorme em desespero ao ir pro abate!

Estrambote

Contar versos nunca foi virtude inata,
Isso o deixa com os olhos ofendidos:
Um quadrúpede como ele, pés fendidos
Cospe iambos, par em par, de pata em pata!

***


REI DOS INAPTOS       (Ângelo Luís)

PRÓLOGO: NO CHIQUEIRO

oinc oinc oinc
lá vem o porco porcalhão
oinc oinc oinc
pega o porco
pega o porco ressentido
capa o porco
capa o porco mascarado
lá vem o porco indecente
incapaz de poetar
lá vem o porco decadente
incapaz de se expressar
arrasa o porco
oinc oinc oinc
o porco é sujo
o porco é sebento
o porco é imundo
o porco é birrento
oinc oinc oinc
lá vem o porco babão
lá vem o porco incauto
lá vem o porco néscio
lá vem o porco palerma
lá vem o porco
lá vem
oinc oinc oinc
fustiga o porco
arrasa o porco
detona o porco
avacalha o porco
o porco vai gritar
oinc oinc oinc oinc oinc oinc
o porco não é um porquinho
o porco é um porcão nojento
tem o focinho torto
o porco é embostelado
o porco é embostado
o porco está desmantelado
capa o porco
mata o porco
o porco não vai escapar
oinc oinc oinc
oinc oinc
oinc
o porco chafurda e afunda na lama
o porco come até estourar

O INDECENTE

escrever por escrever
qualquer boçal escreve
e quando o inapto sem juízo
coaxa boquirroto
o espetáculo de boçalidades se descreve
grunidos vociferantes disfarçados de versos
grasnidos e quejandos infundiosos
de um autoritarismo maldisfarçado
mero palerma arvorado

O MALANDRECO

aplaudem toda ordem de maledicências
de um amargo cultivador da falta de caráter
do indigente desmiolado
ordinário para a poesia
vocifera verborragias
onde a desfaçatez mascara a democracia
é incapaz para o poema
limita-se a atacar
insiste em escrever barbaridades
reescreve grasnidos e ganidos porejados
parlapatices sem limites

O HIANTE ROÍDO

mero porco escroto
brandindo do pensamento
um escasso toco
limita-se ao ataque típico
de um trôpego
inapropriado inapto
não sabe contar
e nem poetar

O APEDEUTA POÉTICO

o bufão não se sacia
esperneia relinchando com oprimida voz
esmagada pela própria ignorância
de um hebdomadário cultivador de porcarias
solta ratos em demasia
possuídos pela raiva nefasta
chato percevejo de confrarias
indigente na poesia
mal sabe o coitado
o significado da linguagem
para o apedeuta
bastam linhas quebradas
sempre imprestáveis

O FALACIOSO GLUTÃO

fazendo-se de ofendido
em delinquir-se no ridículo tem se empenhado
tenta trazer pra si porcos parcos
um bando de “invaidecidos” desmiolados
para merchan do ralhador ferino
barafundoso malcriado
abominável e ressentido
vocifera amancebado
embirrente pancrácio
ridículo atrasado
o agitador roído ataca acanalhado
na lógica dos medíocres

 

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