Publicado em DÉCIO PIGNATARI

Décio Pignatari por Augusto de Campos

Décio Pignatari por Augusto de Campos

Terça, 04 de Dezembro de 2012, 19h53

‘O Brasil das sobras nem imagina o que perdeu. O filtro do tempo vai ensinar’, diz o poeta Augusto de Campos.

O poeta Augusto de Campos relembra o amigo Décio Pignatari, também poeta e tradutor, morto no domingo, 2:

“Décio era um extraordinário poeta e pensador. O maior poeta-inventor da minha geração, e um dos maiores da literatura de língua portuguesa de todos os tempos. Radical adversário da ‘geleia geral’, nunca recebeu prêmio nenhum por seu trabalho. Incomodava universidades e academias.

Apesar de amplamente reconhecido como um dos fundadores da poesia concreta, era muito mais do que isso e morre – Oswald da minha geração – incompreendido e injustiçado como esse.

Não me convence o pós-blablablá de inimigos e pós-amigos de última hora que sempre hostilizaram a poesia de ponta e agora põem a cabeça de fora. Lembro do que Maiakovski escreveu sobre Khlébnikov: ‘Onde estava essa gente enquanto ele vivia?’ O Brasil das sobras nem imagina o que perdeu. O filtro do tempo vai ensinar.”
Depoimento dado a pedido do Estadão. A alteração em relação ao depoimento original está na modificação do termo concretista para, simplesmente, poeta. A obra de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos não pode, nem deve limitar-se ao termo “concretista”.

*

Ângelo Luís e Francisco Settineri

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