drácula

drácula  (décio pignatari, 1975.)

foi assim
eu te mordi
você mordeu a mim
na artéria do pescoço
trocamos de sangue
e agora eu ouço
o canto vermelho
das suas veias
me atraindo para um canto
como o canto de um amor cego
nós nos atraímos
enquanto os outros traem
e subtraem
nosso tempo de amar
mas nada nos separa
nem paredes nem parentes
corações sonâmbulos
voando
um para o outro
eternamente
estamos sempre
cara a cara
por mais longe ou mais gente
ou mais coisas que se ponham na frente
e de noite
sozinho e longe
com as asas sofrendo
nos galhos de uma planta
ou nas migalhas de uma janta
você ouve o meu guincho
eu ouço teu guincho
e voo e incho
como o amor que carrego
é o radar do nosso amor cego
que chama
chama
chama chama chama a quem quer amar
e ama
ama
ama ama ama ama ama

*

Ângelo Luís

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