Publicado em Guillaume Apollinaire

Salomé

Salomé

(Guillaume Apollinaire / Onestaldo de Pennafort)

Para que uma vez mais João Batista sorria,
Senhor, eu dançarei melhor que um serafim.
Mãe, por que estás imersa em tal melancolia,
Vestida de condessa e ao lado do delfim?

Meu coração, só de escutá-lo, quando eu vinha
Dançar junto ao funchal, batia angustiado.
Eu lhe bordara lírios numa bandeirinha
Destinada a flutuar no alto do seu cajado.

E agora, para quem farei lírios bordados?
Seu bordão refloresce às margens do Jordão.
Vieram prendê-o, ó Rei Herodes, teus soldados,
E em meu jardim lírios murcharam deste então.

Vinde todos comigo, além, sob os quincôncios…
          Não chores mais, lindo bufão de reis;
Em vez do guizo, empunha esta cabeça e dança!
Mãe, sua fronte fria está. Não lhe toqueis.

Senhor, ide na frente, e que a guarda nos siga.
Abriremos um fosso e nele a enterraremos
Entre flores, e, em roda, em torno dançaremos,
Dançaremos até que eu perca a minha liga,
                     O rei a tabaqueira,
                     A infanta o seu rosário,
                     E o cura o seu breviário.

*

 Salomé     (Guillaume Apollinaire)

Pour que sourie encore une fois Jean-Baptiste
Sire je danserais mieux que les séraphins
Ma mère dites-moi pourquoi vous êtes triste
En robe de comtesse à côté du Dauphin

Mon coeur battait battait très fort à sa parole
Quand je dansais dans le fenouil en écoutant
Et je brodais des lys sur une banderole
Destinée à flotter au bout de son bâton

Et pour qui voulez-vous qu’à présent je la brode
Son bâton refleurit sur les bords du Jourdain
Et tous les lys quand vos soldats ô roi Hérode
L’emmenèrent se sont flétris dans mon jardin

Venez tous avec moi là-bas sous les quinconces
          Ne pleure pas ô joli fou du roi
Prends cette tête au lieu de ta marotte et danse
N’y touchez pas son front ma mère est déjà froid

Sire marchez devant trabants marchez derrière
Nous creuserons un trou et l’y enterrerons
Nous planterons des fleurs et danserons en rond
Jusqu’à l’heure où j’aurai perdu ma jarretière
           Le roi sa tabatière
           L’infante son rosaire
           Le curé son bréviaire

Poème d’abord publié en 1905 avant d’être intégré dans le recueil Alcools

*

Ângelo Luís e Francisco Settineri

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