Centauro

Centauro

Indaga os céus a ímpia mão que afronta
Dos cascos decididos o eco forte
Ao escapar do desnorteado corte
Que a adaga lhe prepara como conta.

Discípulo do olhar que sério ensina
A desprezar a lassidão travada
Deteve a emoção desenfreada
No inerme caos da inóspita ruína…

Da vastidão o nítido consorte
Sucede ao nímio ardor pela aventura
Insânia e temporal que não têm cura
Cravado ao nervo o aguilhão da morte!

Ginete do atropelo em campos vastos
Coberto de altivez nessa amplitude
Impacto e explosão, eis que amiúde
Espalham-se ao luar os pelos bastos…

Então ele se avulta no tormento
Que é, na busca que a si mesma gera,
Seguir o rasto dessa escura fera
Memórias apagadas pelo vento…

*

Francisco Settineri.

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