Oswald, o garoto-propaganda de 22

OSWALD DE ANDRADE

“Oswald, o garoto-propaganda de 22”
Pesquisa do Banco de Dados – Folha
(J.B.N.)
03.jun.52

José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo a 11 de janeiro de 1890 e morreu em 22 de outubro de 1954, também em São Paulo.

Formou-se em direito em 1919. Publicou seus primeiros trabalhos no semanário paulista de crítica e humor intitulado “O Pirralho”, que ele mesmo havia fundado em 1911. O semanário o tornou conhecido como um escritor combativo e polemista.

Em 1920, fundou o jornal “Papel e Tinta”.

Dois anos depois, foi , junto com Mário de Andrade, um dos principais responsáveis pela Semana de Arte Moderna de 22, ano em que publicou “Os Condenados” (de a “Trilogia do Exílio”).

Sobre sua vida de homem de letras, o próprio Oswald afirmou certa vez: “Literariamente, minha carreira foi tumultuosa. Pode-se dizer que se iniciou com a Semana de Arte Moderna em 1922. Publiquei, então, ‘Os Condenados’ e ‘Memórias de João Miramar’. Descobri o poeta Mário de Andrade, do que muito me honro. Iniciei o movimento Pau-Brasil, que trouxe à nossa poesia e à nossa pintura sua latitude exata. Daí passei ao movimento antropofágico, que ofereceu ao Brasil dois presentes régios, ‘Macunaíma’, de Mário de Andrade e ‘Cobra Norato’, de Raul Bopp. O divisor de águas de 1930 me jogou do lado esquerdo, onde me tenho conservado com inteira consciência e inteira razão”.

Já calçava 41 e possuía durante a Semana uma reputação sólida de, por prazer, dandismo ou inconoclastia, dar chutes com sua botina em tudo o que cheirasse a tradição ou respeito aos padrões estéticos dos “grandes mestres”.

Esse “meninão sentimental, que chorava arrependido das travessuras que fazia, tendo por alvo seres sensíveis e suscetíveis” (Di Cavalcanti), ainda era um milionário excêntrico e narcisista com suas próprias palavras, defendendo —óh paradoxo— um modernismo que precisou de enxadas teóricas importadas para cavar suas raízes nacionais.

Em 1922, Oswald era, no bom sentido, o garoto-propaganda do que Tristão de Ataíde chamou de uma república de letras ensimesmada em seus escândalos internos. O próprio autor de “Os Condenados” (no prelo) e “Memórias sentimentais de João Miramar” (já manuscritas na época) diria mais tarde que o modernismo da Semana foi uma contribuição de elite que não “carreou para o corpo exangue da literatura os glóbulos sanguíneos do nosso povo”.

É bem verdade que o mesmo povo que Oswald descobriu pela estética e pela política só tinha com ele em comum o fato de poder ter sido três vezes preso pelo que a Anistia Internacional chamaria hoje de crimes de opinião. Mas poucos desse mesmo povo se casaram sete vezes, e quanto às 15 viagens de Oswald à Europa, a margem de comparação fica ridicularmente nula.

Porém, ninguém é culpado por ter nascido burguês, sendo aliás excêntrico atacar retoricamente seus próprios interesses de classe.

Grande escritor? Sim. Um dos maiores polemistas das letras brasileiras? Idem.

O grande êmbolo intelectual do modernismo? Não.

Perdia para Mário de Andrade, que não tem culpa por não ter sido recolocado em evidência pela geração do fim dos anos 60 que lançou o tropicalismo.
Foi por Oswald que o movimento Pau Brasil se deu em 1924 e o Movimento Antropofágico em 1928. Ambos tiveram a divulgação do programa estético feito pelo dono das botinas 41.

Filiou-se ao PCB, em 1930, após a revolução, e rompeu com o mesmo em 1945. Continuou, porém, sendo de esquerda. Em 1931, quando dirigia o jornal “O Homem do Povo”, foi várias vezes detido.

Em 1939, representou o Brasil no Congresso dos Pen Clubes realizado na Suécia. Foi o orador do Centro Acadêmico XI de Agosto. Prestou concurso para a cadeira de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP com a tese “A Arcádia e a Inconfidência”. Obteve o título de livre-docente, em 1945.

Oswald foi panfletário, polemista, crítico, ensaísta, romancista, contista e poeta e foi também, sem sombra de dúvidas, uma das figuras mais desconcertantes da literatura brasileira. Sua arte, segundo Roger Bastide, “não é uma arte de análise, mas uma arte de síntese, de construção poética”.

*

Ângelo Luís

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