8 poemas de Giuseppe Ungaretti

Poemas de Giuseppe Ungaretti traduzidos por Haroldo de Campos para o Seminário Internacional “Ungaretti, Poeta de Três Continentes” (USP/Secretaria Municipal de Cultura, 8-11 de setembro de 1997)


Eterno

Tra un fiore colto e l’altro donato
l’inesprimibile nulla

Eterno

Entre uma flor colhida e o dom de outra
o nada inexprimível

*

Noia

Anche questa notte passerà

Questa solitudine in giro
titubante ombra dei fili tranviari
sull’umido asfalto

Guardo le teste dei brumisti
nel mezzo sonno
tentennare

Tédio

Também esta noite passará

Esta solidão em torno
sombra titubeante de fios viários
sobre o úmido asfalto

Olho como os cocheiros
a meio-sono
cabeceiam

*

Tappeto

Ogni colore si espande e si adagia
negli altri colori

Per essere più solo se lo guardi

Tapete

Cada cor se expande e demora
nas outras

Para ficar mais só basta mirá-lo

*

In Galleria

Un occhio di stelle
ci spia da quello stagno
e filtra la sua benedizione ghiacciata
su quest’acquario
di sonnambula noia

Na Galeria

Um olho de estrela
nos espia daquele tanque
e filtra sua bênção gelada
sobre este aquário

*

Il Porto Sepolto
(Mariano 19.06.1916)

Vi arriva il poeta
e poi torna alla luce con i suoi canti
e li disperde

Di questa poesia
mi resta
quel nulla
d’inesauribile segreto

O Porto Sepulto

Eis que chega o poeta
e volta depois para a luz com os seus cantos
e os despende

Desta poesia
me resta
aquele nada
de inexaurível segredo

*

Stasera
(Versa 22 maio 1916)

Balaustrata di brezza
per appogiare stasera
la mia malinconia

Esta Noite

Balaustrada de brisa
para apoiar noite adentro
a minha melancolia

*

Destino
(Mariano 14 julho 1916)

Volti al travaglio
come una qualsiasi
fibra creata
perchè ci lamentiamo noi?

Destino

Voltados para a fadiga
feito qualquer
fibra criada
nós por que nos lamentamos?
*

Attrito
(Locivizza 23.09.1916)

Con la mia fame di lupo
ammaino
il mio corpo di pecorella

Sono come
la misera barca
e come l’oceano libidinoso

Atrito

Com minha fome de lobo
amaino
meu corpo de cordeiro

Sou como
a barca ínfima
e o libidinoso oceano

*

Ângelo Luís

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