Publicado em Francisco Settineri

Poesia de Francisco Settineri IV

franc

pausa

asa
que es
voaça o
pássaro
in ver
tido

brilha a
letra in
tacta o
lhar perd
ido

Francisco Settineri.

*

PORTODOCORPO

O porto é corpo.
É cais onde se amarra,
Arte maior que se revela
Na volta da vela.

Na ânsia do teu retorno,
Corro a mão por teu contorno
(como se de cabelos se tratasse!).

O porto é corpo.
O corpo não é porto.

O cais
É mais que o muro que o separa
Mais que a distância
De teus olhos fitando,
Dança e lembrança.

O porto é corpo.
O corpo não é porto.
Por isso, tenho de voltar.

Francisco Settineri.

*

Gosto

Da gargalhada hilária
e do riso trágico

Gosto
do teatro mágico
onde te extendes,
alma pura,
sorriso extenso…

Onde te escondes.
onde escondes
teu desejo mais profundo,
Intenso…

Praia
Praça
Gargalhadas
Boate
Futebol.

Francisco Settineri.

*

Epidérmica

Imagino a tua pele;
Literalmente
P E L E
Quatro letras
Alastrando-se por ti mesma,

Envolvendo teu corpo
Feito de sonhos e de poemas…
Pele feita para encontros
E despedidas, idas e partidas!

PELE, PELE, PELE, PELE…

Pálida lua que me aquece a alma
E esquece…

Francisco Settineri.

*

*

SIGNO

 Calmo e só
não mais espero…

A espera é tensa,
e cada instante dela,
procura imensa.

Amo-te,
figura submersa
tão dispersa
que desconheço.

Reconstruo a memória,
densa e completa.

Francisco Settineri.

*

Adeus a Carlos Magno

Talhado para a dor, enquanto sonhas
Torpores de uma alma desabrida,
Alteada a nua vela de partida,
Saíste desta vida em mãos medonhas…

O rumo das estrelas que tu ganhas,
Final feroz de uma canção sofrida
Não despe o brilho claro de uma vida,
Fulgor de mansa luz, até as entranhas!…

Partiste, e nós, de coração partido,
Na bênção que deixaste em tua ausência,
Coas mãos que celebraste, em verso lido

Tu foste para a Terra da Inocência,
Tal como havia sido prometido
A Abrão e a toda sua descendência…

Francisco Settineri.

*

Claro Escuro

Ao luar, numa varanda
Ilumina-se o teu rosto
E é com mínima ciranda
Que de longe sinto o gosto…

Mas se ouço, de outra banda
O teu riso bem disposto
Minha altivez desanda,
Com meu brio assim exposto.

Contudo, se nos tomamos
A cantar claro dueto
Entre as sombras desses ramos

O olhar perdura quieto.
Entre as trevas nos amamos:
Explode em luz o soneto!

Francisco Settineri.

*

Arlequim

Um sorriso,
A rosa murcha
caída entre suas mãos.

A lembrança daquilo que foi festa
e se perdeu.

Um rosto
uma miragem
a Rainha de Sabá…

O confeti, agora, é redondo espanto.
E eu canto a tua roupa xadrez
de palhaço!

Francisco Settineri.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s