LEMBRANÇAS DE CASTRO ALVES E DE ÁLVARES D’AZEVEDO

LEMBRANÇAS DE CASTRO ALVES E DE ÁLVARES D’AZEVEDO
Sousândrade

Brilham no espaço as estrelas
       Grandes, belas
Qual olhos brilham a amor:
Noite; às sombras jaz deitado
Da mangueira, o namorado
         Trovador.

De cada aragem da brisa
        Que desliza
Ela escuta o segredar,
Passos ouve – são as vozes
        Meigas, doces,
Conhecidas. – E a sonhar

Vê a luz dela e o encanto
         Do amaranto
Dos puros vestidos seus;
Passam músicas nos cumes;
         Há ciúmes –
“Quem sabe, os astros dos céus…”

Sonha e não dorme, ou delira,
        Já suspira
E da brisa ao perpassar
Abraça um lírio, risonho
        Qual um sonho
Havido ao raio estelar –

– Eis que, das sombras, fantasma
         Surge, pasma,
Lampeja, vibra o punhal.
Ouviu-se, as flores roçando,
          S’elevando
O espírito celestial.

E veio a linda inconstante
          E do amante
Prendeu-se ao brutal furor;
Depois, ao corpo já frio
          Mal sorriu,
Passando, do Trovador.

(1861)

*

Ângelo Luís

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