Publicado em Francisco Settineri

Insensato e Lúgrubre

Insensato

Reparo cada tom do teu retrato
E nada justifica essa demora
Pois que hoje a madrugada foi-se embora
E o tempo que passou agora é fato…

Porém, eu reconheço de imediato,
Vislumbre que me diz que já é hora
Pois vejo que uma vez mais se assenhora
Aquela que de mim fez insensato.

Ao dar-te ao coração delicadeza,
Assim um desafio a mais levanto
Que eu sei que não escapas da certeza

Pois giras na vertigem do meu canto
Que vai assinalar grande proeza,
Não houve outro poeta a te amar tanto!

Francisco Settineri.

*

Lúgubre

O que era belo hoje só causa medo
Que no teu canto preludiou o grito,
Partem-se crânios contra este rochedo
Pululam vermes em tremendo rito.

Movem-se ainda as mãos no arremedo
Do que da boca não vai mais ser dito,
Do vivo ao morto já não há segredo
Terror que espalha-se no céu aflito.

Essa lembrança em célere teatro
Num barco podre que afundou no cais
É o que me resta, mais sinistro e atro,

Horrenda chaga a esgravatar demais…
Então rastejo e vejo o magro espectro
Do velho corvo a repetir – Não mais!

Francisco Settineri.

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