In my craft, or sullen art

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Dylan Thomas – In my craft, or sullen art

In my craft, or sullen art,
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms
I labor by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages,
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages,
Nor for the towering dead,
With their nightingales and psalms,
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages,
Nor heed my craft, or art.

*

Dylan Thomas – Se em meu ofício, ou arte severa
(tradução: Mário Faustino)

Se em meu ofício, ou arte severa,
Vou labutando, na quietude
Da noite, enquanto, à luz cantante
De encapelada lua jazem
Tantos amantes que entre os braços
As próprias dores vão estreitando ―
Não é por pão, nem por ambição,
Nem para em palcos de marfim
Pavonear-me, trocando encantos,
Mas pelo simples salário pago
Pelo secreto coração deles.

Não pelo homem altivo, alheio
A tormentosa lua escrevo
Sobre estas páginas de espuma
Nem pelos monstros imponentes
Com seus rouxinóis, seus salmos,
Mas pelos que se amando estreitam
Nos braços toda a dor das eras,
Que não louvam, não pagam, nem escutam
O meu ofício ― ou arte severa.

FAUSTINO, Mário. Poesia completa e traduzida. Org. Benedito Nunes. São Paulo: Max Limonard, 1985, p.294-29

*

Dylan Thomas – Em meu ofício ou arte severa
(tradução: José Lino Grünewald)

Em meu ofício ou arte severa
Na sossegada noite exercido
Quando apenas ruge a lua e, ao leito,
Pairam os amantes com tôdas ânsias
Nos braços concentradas, eu trabalho
À luz cantante, nem por glória ou pão
Ou pela permuta e pompa de encantos
Ein palcos de marfim, mas pela paga
Simples em seu mais quieto coração.

Não ao orgulhoso, alheio à luz uivante
Escrevo nestas espumadas páginas;
Nem também ao cadáver altaneiro
Com seus rouxinóis e salmos, e sim
Aos amantes, seu braços circundando
Todos o padecer dos tempos, aquêles
Que não prestam louvor nem recompensa
Nem se importam com ofício ou arte.

ln My Craft or Sullen Art (Em Meu Ofício ou Arte Severa) é o mais famoso poema de Dylan Thomas, morto em 1953, em Nova York, aos 39 anos de idade, quando estava realizando um tour de recitais. No conjunto de sua obra em verso (também foi autor de contos, peças radiofônicas e de um roteiro cinematográfico jamais filmado), está presente ao desembocar da linha mais rica da tradição da poesia em língua inglêsa. É a poderosa dicção da vertente elizabethana, vazada na riqueza de imagens e de metáforas, os strong lined verses, seja dos poetas metafísicas, John Donne à frente, de John Webster e Ciryl Tourner, o barroco de Crashaw, o intelectualismo de Marvell, o wit de Herrick. Tal vertente, após ressonâncias no próprio Keats e haver influenciado a obra de Blake, caracterizou, no período vitoriano, o fabuloso Hopkins e, na poesia moderna, além de Hart Crane, especialmente Dylan Thomas.
Dylan Thomas, natural de Gales, viveu praticamente por e para poesia. Em Meu Ofício ou Arte Severa não deixa de refletir isso – o poema do escritor taciturno, que encara a sua arte, não como um mero arroubo de inspiração ou de loas de encomenda, mas como um ofício rigoroso, desenvolvido em solidão. Talvez êste poema não seja o mais representativo no que toca a algumas constantes do seu autor, mormente o fundo religioso e aquela busca de inocência da criança num mundo de imaginações torturadas. A sua importância (e talvez a sua fama) advém de ter sido a peça por excelência onde êle medita sôbre o ato de escrever. É um dos seus poemas menos herméticos, mas que não deixa, entretanto, de evidenciar a fôrça de sua dicção e de suas imagens instigantes. Exemplo: “the strut and trade of charms on the ivory stages” (permuta e pompa de encantos em palcos ele marfim).
Há críticos entusiastas de Dylan Thomas, como Elder Olson – que chegou até a escrever um livro premiado sôbre o poeta – pouco interessados em ln My Craft or Sullen Art, dando proeminência a muitos outros poemas. Todavia, êste último ficou – a tal ponto que tem uma expressão transcrita no próprio verbête de Thomas na Enciclopédia Britânica

José Lino Grünewald, Correio da Manhã, 07/09/1968

*

Dylan Thomas – Em meu ofício ou arte taciturna
(tradução: Ivan Junqueira)

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

*

Dylan Thomas – Neste meu ofício ou arte
(tradução: Augusto de Campos)

Neste meu ofício ou arte
Soturna e exercida à noite
Quando só a lua ulula
E os amantes se deitaram
Com suas dores em seus braços,
Eu trabalho à luz que canta
Não por glória ou pão, a pompa
Ou o comércio de encantos
Sobre os palcos de marfim
Mas pelo mero salário
Do seu coração mais raro.

Não para o orgulhoso à parte
Da lua ululante escrevo
Nestas páginas de espuma
Nem aos mortos como torres
Com seus rouxinóis e salmos
Mas para os amantes, braços
Cingindo as dores do tempo,
Que não pagam, louvam, nem
Sabem do meu ofício ou arte.

*

*

Ângelo Luís e leitura do poema na tradução de Augusto de Campos por Tadeu Filipini.

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