cinco poemas traduzidos por José Lino Grünewald

Cinco poemas
vários autores
traduzidos por José Lino Grünewald

No seu septuagésimo-quinto aniversário
Walter Savage Landor

Lutei com nada e nada valia a lida.
Amei a Natureza e logo após a Arte;
Aqueci as mãos ante o fogo da vida;
Tudo se afunda e estou como quem já parte.

Dias
Ralph Waldo Emerson

Prole do Tempo, Dias hipocríticos,
Tampados, mudos, dervixes descalços,
Seguindo sós em fila sem mais fim,
Com diademas e adornos nas mãos.
Oferecem regalos para todos,
Pão, reinos, astros e céu que os sustém.
Eu, em meu jardim curvo, olhava a pompa,
Esquecia os desejos matinais,
Na pressa, peguei ervas e maçãs,
E saiu e voltou, silente, o Dia.
Vi tarde, em seu solene aro, o desdém.

A expressão da alma
Elizabeth Barrett Browning

Com lábios hesitantes e som mutilado
Luto e me empenho para o que certo seria
A música deste ente dizer noite e dia
Com sonho e pensamento e sentimento atados,
E interno responder aos sensos circunscritos
Com oitavas de mística íntima e de astral
Que sai com esplendor a caminho do infinito
Dos ângulos sombrios do solo sensual.
Canção da alma porfio a fim de a sustentar
Através dos portais do senso almo e total,
E inteira moldo a mim no interior do ar.
No entanto se isso eu fiz – tal próprio trovejar
Destroça sua nuvem, eis morte carnal
Diante do feroz apocalipse da alma.

Ora dorme, carmim, a pétala, ora a pálida
Alfred, Lord Tennyson

Ora dorme, carmim, a pétala, ora a pálida;
Nem tremula o cipreste em paço do palácio;
Nem brilham as estrias na pia de pórfiro.
Desperta o pirilampo; acordas tu em mim.

Ora inclina-se o alvo pavão como espectro,
E bruxuleia como espectro sobre mim.

Ora a Terra, tal Dânae, estende-se às estrelas,
E abres teu coração inteiro para mim.

Ora desloca-se o silente meteoro,
Deixa um rastro de luz – teu pensamento em mim.

Ora projeta o lírio todo seu encanto,
Vai deslizando até o regaço da lagoa:
Projete-se assim minha querida e deslize
Até este meu regaço e ora se perca em mim.

Sem ela
Dante Gabriel Rossetti

Seu espelho sem ela? O lívido vazio
Lá onde, sem lua, o poço está sem luz na face.
Seu vestido sem ela? O agitado oco espaço
De nuvens onde a lua errou no fugidio.
Seus caminhos sem ela? O dia rodopia
No assédio em noite triste. Seu suave paço
Sem ela? Lacrimar, ah, eu! Do amor a graça
E o frio esquecimento em noite e dia.
E o coração sem ela? Ou pobre coração
De ti que frase fica até que cale a fala?
Um viajante em árida e gélida escala
Árduas e duras vias verá você em vão
Sem ela e lá onde a longa nuvem dá vazão
À dupla escuridão no monte que avassala.

Grandes poetas da língua inglesa do século XIX
01/01/1800

*

Ângelo Luís

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