Deuses

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Deuses

Fernando M. Campello

Vieram quando os dinossauros ainda eram gado errante e ficaram como que invisíveis através dos anos, ocupando um enorme espaço com seu silêncio, sua loucura, com seus trovões e suas nuvens que insondavelmente as vezes nos convidam a olhar o céu.
Eles dançam ao som dos raios do sol e a sua desabalada dança faz com que a terra gire, com que vulcões entrem em erupção, com que guerras sejam deflagradas e haja música, flores e raios de sol.
As vezes são terríveis porque a si mesmos outorgam as chaves do inferno. As vezes não são absolutamente nada mas estão em toda a parte, assumem uma neutralidade tamanha que basta respirar ou se banhar num rio para que sejamos cúmplices de sua obra ou que sejamos talvez a própria essência de sua existência.
Outras vezes são completamente irresponsáveis e isentam-se de toda a dor, de todo o sofrimento e das mortes.
Para se distrair jogam dados, I Ching, Tarot, Runas, movimentam os astros como num tabuleiro de xadrez e vão montando um caótico quebra-cabeças em que qualquer peça cabe em qualquer lugar.
E escrevem livros, vão à guerra, pintam quadros, fazem música, tocam instrumentos, cozinham, constróem casas e cadeiras, fabricam espelhos e não reconhecem sua vocação para o infinito.
E ainda sem compreenderem absolutamente nada sentem, como eu uma estúpida vontade de chorar sempre que as noites são tão escuras quanto esta.

*

Francisco Settineri.

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