3 poemas de Dudu Oliveira

dudu oliveira

Céu da Boca.

(Dudu Oliveira)

Marcas na pele diziam
caminhos; labirintos e abismos
de êxtase. Mãos despertavam
sentidos, gritos rasgavam
a presença.

Bocas mordiam silêncios – orações
de gemidos – murmúrios
soprados ao ouvido…

Do céu de um azul quase
santo despencavam
encantos – seus olhos – e,
tonto, eu lambia as estrelas.

*

Latência.

(Dudu Oliveira)

Existo nesta dor que me navega
Que nega no estupor e não resisto
Um misto desta dor aflora e cega
Renega o fingidor que agora avisto
Registro no calor que a carne alega
A trégua desta dor que agora alisto
Desisto no estertor que logo agrega
Às cegas sirvo a Dor então existo.

*

Amor, também.

(Dudu Oliveira)

Por ser Amor, ser esta força bruta
o sal da terra ao custo do desterro
a solidão que encerra a lição no erro
Amor também se o peito já não luta.
Também Amor, desejo que refuta
a voz da guerra sufocando o berro
a mão que emperra o gesto sob o ferro
o vácuo de um silêncio sem escuta.

E só o amor de um corpo no degredo,
a pele guarda o germe nesta ausência,
pois tudo já fez parte deste enredo

no sentido insensato da dormência
– saudade como engano um tanto ledo –
Amor, também amor, em vã latência.

Dudu Oliveira: “Apesar de não gostar muito da ideia de um sujeito (autor) sobre a arte, entendo perfeitamente a necessidade de associar um ente civil a uma persona artística. A minha identidade civil, digamos assim, é Carlos Eduardo Ferreira de Oliveira um autodidata no estudo do poema e suas burocracias. Atualmente na graduação em Letras, pela UNIRIO, buscando apurar a experiência de estudo e escrita de forma mais disciplinada.
Leio de tudo e entendo que todos os textos convergem para a tradição. A questão da literatura é mais relevante do que aparenta, a priori, é a via que descreve o mundo. Assim, sacio a minha angústia ancestral no exercício da escrita enquanto desfruto da ficção da história.”

*

Ângelo Luís e Francisco Settineri

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Um comentário em “3 poemas de Dudu Oliveira

  1. Um tacho de doce que precisa ser apurado, o ponto certo. Assim a conversão para a tradição. Elias Borges

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