POESIA DE FRANCISCO SETTINERI VII

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Outra Vez

Luta! Não há rascunho
de cautela! De nada serve
a vida assim em paz!
Eu sei que me acobardei
um dia. Nefasta vez que pouco fui capaz! Não, eu não quero mais sentir o medo.
O medo de ser sempre avassalado. É preciso sair do caos, tutela. Desta infinita voragem, no abdome. Da aranha, numa vesga tarantela. É preciso voltar a ser soldado. E lutar, fazer jus ao renome. A criança retirada da fome. Na arquitetura concisa da favela!

Francisco Settineri.

*

Bálsamo

No albor dessa distância dos mares
Tão sensitivo, feito de esperança e a um tempo temor
O poeta augura o pó do caminho das estrelas
Via láctea como um leito linho esplendor
Que se demora austero como a passagem das horas.
Porque ninguém te amará como eu, sereno nas madrugadas frias
E ouvirá as sereias e cobiçará agarrar-se a teus cabelos
No desespero assombrado da noite grande e coalhada de orvalho
Teus olhos brilham como esferas líquidas e solitárias.
Elas nunca, nunca, cicatrizam,
Em seu negrume brilhante, armado de dor.
Mas minhas mãos, em teu silêncio, farão com que murchem os espinhos dos cardos
Que conheci bem antes de construirmos de mãos dadas o ansiado ninho.
E haverá aves tétricas gritando, tenebrosos pesadelos no mar,
Ilhas mortas de perigos horrendos e rochas sem vida
Até que venham nítidas e flamantes as cores da manhã.

Francisco Settineri

*

tanka

Ela ligou ontem
dizendo estar triste
amiga querida!

Francisco Settineri.

*

PARA O POETA GALEGO JOSÉ ANDRÉ, NO DIA DE SEUS SESSENTA ANOS

.
Corroída na saudade, grande e bela
Essa data que se vai e marcha lenta
Eu te vejo aproximado dos sessenta
Numa senda tão estreita em Compostela.

Foi o tempo que passou pela janela
Pois o ido que se foi a dor enfrenta
E tu vences o espinho que atormenta,
Eis gravada nesse espelho uma donzela!

E era nua como náufrago querias
Era pele que buscava a mão risonha
Numa lenda que esta noite ainda sonhas

Revoando pela noite sem escolta,
Pois de versos abastado proferias
Ao ouvido que se foi e não mais volta!
.
Francisco Settineri

*

Ao poeta Ângelo Luís, em seu aniversário

O poeta do estrondo
o poeta do chumbo
o poeta travesso
o poeta ao avesso
na corja o arremesso
no lombo!

o poeta é um vândalo
o poeta é um escândalo
o poeta toda a vida
o poeta deu a vida
ao poema todo mês

o soneto se destrói
e livre ele aparece
o poeta cada vez
que o verso nasce
no fim ele desfaz
e desfalece
o verso ele destece,
o poeta que completa os trinta e três.

Francisco Settineri.

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