4 poemas, quase inútil quase nada

18-contradicao-espacial-1958-waldemar-cordeiro-foto-edouard-fraipont
Waldemar Cordeiro, Contradição Espacial, 1958.

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escrever sobre o que não foi dito
dizer o que não foi escrito
objetar sobre o mistério
misteriar sobre o objeto

quase inútil quase nada
é útil ser nada
sendo tudo
prolixo

alguma coisa
pronome
em suma
sem rumo

lá fora
aqui dentro
a vida ainda é breve
irreparável não é o tempo

Ângelo Luís

*

argila

sem
pre ver
no fim
da vez
vazia

naquela
censura
em tuas
artérias
petrificadas
nuas

do
sopro
ou mesmo
de súbito
até de
ter-se
sempre

Ângelo Luís

*

MOLÉSTIA

eca de
meleca
sem essa
de moléstia

meça a voz
ou as vozes
todas elas
as vezes
ouvem
o eco
do silêncio
elétrico

era isso
que de fato
ou virá
ou vem

*

no espaço
a gota
a gota
mostra
sua imagem
de repente

uma vez
aqui
outra vez
em outro lugar
agora
esta imagem
engole
a si mesma

enquanto a dúvida
persiste
em si mesma
hora
hora
eu
digo sim
ao combate
enfim
lá vem
o som mudo
em mim

mais nada
a dizer
apenas
por assim dizer
agora
e que se torna
tão
de repente

Ângelo Luís

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