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Makhmud Darwish

Makhmud Darwish

O poeta José André López González envia importante contribuição para DITIRAMBOS:

” Meu muito caro, em arquivo anexo vai uma tradução do mais grande poeta palestino do século XX e uma mínima biografia para ficarmos sabendo quem foi.
Acho de alto interesse a publicação deste grande poema pois trata-se, sem qualquer dúvida, dum dos mais grandes poetas do século XX em qualquer língua e em qualquer latitude.”

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Makhmud Darwish

  محمود درويش

 

 

Makhmud Darwisch não é só o maior dos poetas palestinos contemporâneos embora, no sentir de muitos críticos um dos maiores poetas árabes actuais, senão é o mais grande, o que quer dizer um dos maiores poetas vivos do mundo e foi uma lenda em vivo. Nasceu em al-Birgwa, pequena aldeia da Galileia a nove quilômetros de Acre, o dia 13 de Março de 1942. De família muito humilde e sem nenhum antecedente literário[1] (seu pai apenas sabia ler e sua mãe era analfabeta) que cultivava a terra numa economia de auto-subsistência. Quando em 1948 aconteceu a “grande tragédia” (al-Nakba), ele junto a seus pais, tem de abandonar o seu país para fugir ao Líbano, de primeiras na aldeia de Iezzine e depois em Damur, onvertendo-se assim em laalhi (refugiado).

Uns anos permaneceram ele e a sua família no Líbano. Quando voltar com um seu tio para a Palestina não achará já a sua aldeia e morada, Birwa fora destruída totalmente até os cimentos, como Kafr Kassem, cidade convertida em santa após o massacre de 29 de Outubro de 1956. A entrada dele no seu país e a instalação na aldeia de Dair al-Asad de forma clandestina fez dele, paradoxalmente, um mutasalhil (infiltrado), pois durante o tempo que permanecera refugiado no Líbano os sionistas tinham elaborado uns censos nos que ele nem o resto da sua família não figuravam, e pelo tanto não tinham direito algum para permanecerem no Estado Israelense, isto é, na sua própria pátria.

Logo de obter o diploma de estudos secundários dedica-se como mestre na aldeia de al-Iadida ao mesmo tempo em que colabora no jornal al-Ittihad e nas revistas al-Iadir e al-Fair, todas elas publicadas em árabe pelo Partido Comunista, organização na que militava e ao mesmo tempo, trava uma amizade muito funda com o escritor palestino Emil Tuma já que mora na casa dele durante algum tempo ao carecer Makhmud Darwish de meios econômicos.

Em 1960 publica o seu primeiro livro de poemas: Asafir bila ainiha (Pássaros sem azas) e em 1961 sofre o seu primeiro arresto, permanecendo prisioneiro durante duas semanas. Quatro anos depois sairá ao lume o seu segundo poemário, Awraq az-zaitun (Folhas de oliveira). Nele o poema mais célebre é Bilhete de identidade. Influenciado pela poesia do Mahyar [2], e dos grandes criadores, o sírio Nizar Qabbani, dos iraquianos Badr Shakir al-Sayyab e Abd al-Wahhab al-Bayati e dos egipcianos Abdel Muti Hiyazi e Salah Abdel Sabur, em 1966 dará ao lume Ashiq min Filistin (Namorado de Palestina). 1967 olha a saída o livro Fim da noite (Ajar al-lail) onde as influências são já as do poeta sírio Muhammad al-Magut, do turco Nazim Hikmet, do francês Louis Aragon, do chileno Pablo Neruda, do espanhol Garcia Lorca e, sobretudo, de Eliot.

Em 1970 viaja com uma delegação das juventudes comunistas por vários países socialistas europeus e à volta, decide ficar em Egipto. A sua estadia no país do Nilo faz virar o rumo da sua obra fazendo dela um encaixe de complexidade técnica e duma grande originalidade metafórica. Ao seguinte ano instala-se em Beirute onde dirige duas das mais importantes revistas árabes: Shuún filistiniyya e al-Karmel, ademais do Centro de Estudos Palestinos. Na cidade libanesa vai ficar até 1982 em que, após a invasão israelense tem de partir como o resto dos combatentes e a cúpula da OLP para a Tunísia, depois para a França (Paris) e finalmente Ammám. Da sua etapa libanesa são de salientar: Muhawala raqm 7 (Ensaio número 7), Tilka suratuha wa hadka intihar al-ashiq (Esta é a sua imagem e este o suicídio do namorado). Da sua etapa após 1982 são importantes: Madih az-zilh al-´ali (Elogio da alta sombra) e Wardum aqal (Menos rosas).

Em 1972 publica Uhibbuk aw la uhibbuk (amar-te ou não amar-te).

Desde 1973 exerce na OLP labores do mais alto nível de representação cultural e diplomático. Redigiu para o Conselho Nacional Palestino reunido em Argélia, junto com Edward W. Said e Elias Khoury a Declaração de Soberania, onde as suas resoluções estipulavam a criação na Palestina histórica de dous Estados, um árabe e o outro judeu cuja coexistência garantiria a soberania de ambos os dous povos. Em 1993 rompeu com a linha que Arafat representava e os conseqüentes acordos de Oslo.

Nos anos noventa inicia uma poesia muito mais épica, sem deixar de ser lírica, assim vão sair livros como: Ahada ashara kawkaban (onze astros), Limadha taraka l-hisan wahidan (Porque deixaste o cavalo só?), Sharir al-gariba (a cama da estrangeira) e Yidariyya (Mural).

Desde 1996 residiu em Ramalah onde dirigiu a prestigiosa revista al-Karmel. Durante o assédio à cidade pelo exército sionista no ano 2002 os arquivos deste referente palestino foram destruídos ou direitamente apropriados indevidamente. Tem recebido numerosos prémios internacionais, entre outros: Prémio Lotus da União dos escritores Afro-asiáticos (1969); Lenine da Paz (União Soviética, 1983), Medalha da ordem do mérito às artes e às letras (França, 1993) o Prémio da liberdade cultural da Fundação Lannan (2002) Cultural Freedom Price, em 2001 e o Príncipe Claus de Holanda, em 2004.

 

O seu nome tem ressoado muitas vezes como candidato para o Nobel de Literatura.

 

 

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(Esta tradução vai em homenagem a Rachel Corrie, jovem estudante norte-americana brutalmente assassinada pelo sionismo em 15 de Março de 2005 em Rafah. Ela perdeu a vida a defender o inalienável direito do povo palestino em ter um telhado para se cobrir e uma terra onde as crianças possam livres brincar)

 

 

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Penúltimo discurso do índio perante o homem branco

 

Morto, dixem?: Nấo há morte.

Só uma muda de mundos.

 

Seattle.

Chefe dos Duwamich.

 

 

I.

 

Assim, somos os que somos no Mississipi. Possuímos o que nos resta de ontem,

mas a cor do céu mudou e o mar pelo Leste

também. Ó senhor dos brancos, senhor dos cavalos, que é o que queres

dos que vão de caminho para as árvores da noite?

Elevada é a nossa alma e sagrados os pastos. E as estrelas

são palavras que alumiam. Esquadrinha-os e a nossa história cabal lerás:

aqui nascemos, entre água e fogo, e de aqui a um nada renasceremos nas nuvens

beira da costa azulada.

Nấo mates mais a erva. Uma alma possui que em nós defende

a alma da terra. Ó senhor dos cavalos, ensina o teu corcel para que pregue perdấo

à alma da natureza pelo que tens feito às nossas árvores.

Árvore, irmấ.

Fizeram-te padecer tanto como a mim.

Nấo rogues comiseraçấo

Pelo lenhador de minha mấe e da tua.

 

II.

 

O chefe branco compreenderá as velhas palavras

aqui, nas almas em liberdade entre o céu e as árvores.

É um direito de Colombo a liberdade de topar índios em qualquer mar.

Direito seu é chamar os nossos espectros pimenta ou índios.

Pode quebrar a bússola do mar para que se endireite

e confundir ao vento do Norte, mas nấo crê que os humanos

são semelhantes, como o ar e a água, além do reino dos mapas,

que como se nasce em Barcelona, nascem, mas em todas as cousas adoram

ao deus da natureza e nấo o ouro.

E Colombo, o livre, procura uma linguagem que cá nấo achou,

ouro procura nos crânios dos nossos bondosos avôs

e conseguiu o que desejava dos vivos e dos mortos

Porque é que desde o seu sepulcro prossegue a eterna guerra de extermínio

e de nós nấo restam mais que as galas para a ruína e a plumagem leve sobre

os vestidos dos lagos? Setenta milhões de corações arrebentados abundarão

para que voltem da nossa morte, como um rei, sobre o sólio do tempo novo?

Nấo chegou o momento, estrangeiro, de encontrarmo-nos como estranhos num mesmo tempo,

num mesmo país, como rente dum abismo se encontram os estranhos?

Para nós o que nos pertence e a vossa porçấo do céu.

Para vós o que vos pertence e a nossa parte de ar e água.

A nossa parte de calhaus para nós e para vós a vossa de ferro.

Vem para repartirmo-nos a luz na força da sombra. Elege o que desejar

da noite e deixa-nos duas estrelas para que enterremos os nossos mortos no firmamento.

Apanha do mar o que desejes e deixa-nos duas ondas para pescar.

Colhe o ouro da terra e do sol e deixa-nos a terra dos nossos nomes.

Volta com a tua gente, estrangeiro, e procura as Índias.

 

III.

 

Árvores modeladas da palavra do deus são os nossos nomes e pássaros que voam mais alto

que os fuziles. Nấo fendas as árvores do nome, vós que vindes

em guerra desde o mar. E nấo lanceis os vossos cavalos como archotes pelas planícies.

Vós tendes o vosso deus e as vossas crenças e nós os nossos.

De Ele nấo façais um porteiro no palácio do rei.

Apanhai as rosas dos sonhos nossos para olhar a alegria que vemos nós.

Dormi à sombra dos nossos sabugueiros para voar como as pombas,

como os nossos bondosos avôs antes de voltar em paz voaram.

Faltar-vos-á, brancos, a lembrança da viagem pelo Mediterrâneo,

faltar-vos-á a solidão da eternidade num bosco que nấo assoma ao abismo,

faltar-vos-á a sabedoria das desgraças e uma derrota nas guerras,

faltar-vos-á uma rocha que se resiste ao fluxo do veloz rio do tempo,

faltar-vos-á uma hora para a contemplaçấo de qualquer cousa, para que amadureça em vós

um céu indispensável para a terra, uma hora para duvidar entre dous

caminhos. Um dia há-vos faltar Eurípides e os poemas de Canaã e os babilônios.

Hão-vos faltar

as cantigas de Salomấo a Shulamite, a açucena da saudade.

faltar-vos-á, brancos, uma lembrança que adestre os cavalos da loucura

e um coraçấo que esfregue as rochas para que o brunissem na chamada dos violinos.

Falhar-vos-á uma trégua com os espectros nossos nas infecundas noites do inverno,

um sol menos aceso, uma lua menos cheia para que o crime apareça

menos majestoso na pantalha. Tomai o vosso tempo

para matar a Deus.

 

IV.

 

Nós sabemos o que encobre esta eloqüente ambigüidade

um céu que do nosso se pendura e fadiga a alma, um sabugueiro

que sobre os passos do vento anda, uma fera que erige um reino nos

buracos da atmosfera ferida e um mar que a madeira das nossas portas salga.

A terra nấo era mais pesada antes da criaçấo, mas

nós o soubemos antes de tempo. Os ventos contar-nos-ão

a origem nossa e o fim, mas hoje tiramos o sangue ao nosso presente

e soterramos os nossos dias na cinza dos mitos. Atenas nấo é para nós.

Conhecemos os nossos dias pelo fumo do lugar e Atenas nấo é para nós.

Estamos informados do que o senhor metal nos reserva

e reserva aos deuses que nấo protegem o sal do nosso pấo.

Sabemos que a verdade é mais forte do que a injustiça, que os tempos

mudaram desde que mudaram as armas. Quem alçará as nossas vozes

para uma chuva seca nas nuvens? Quem limpará os nossos costumes

do fragor dos metais? «Anunciamos a boa nova da civilizaçấo», dissera o estrangeiro,

«Eu sou o senhor do tempo que véu para herdar a terra vossa.

Passai perante mim para que vos conte, cadáver a cadáver, sobre a superfície do lago»

«Anúncio – vos a boa nova da civilizaçấo» o estrangeiro dissera. «Que vivam os Evangelhos. Passai

para que reste só a divindade para mim. Os índios mortos sấo melhores

que os vivos para o nosso Senhor dos céus. Deus é branco

e branco é este dia. Vós tendes um mundo e outro nós».

O estrangeiro pronúncia extravagantes palavras e esburaca na terra um poço

para soterrar o céu. Estranhas palavras o estrangeiro pronúncia

e caça às nossas crianças e às borboletas. Que é o que prometeste ao nosso jardim, estrangeiro?

Rosas de zinco mais lindas que as nossas? A tua vontade seja

mas, sabes por ventura que a gazela nấo pasta a erva se o nosso sangue a roça?

Sabes que os búfalos e as plantas os nossos irmấos sấo, estrangeiro?

Nấo esburaques mais a terra. Nấo firas a tartaruga,

nas suas costas dorme a terra, a nossa terra mấe, as nossas árvores sấo a sua cabeleira

e as suas flores os nossos enfeites. «Nấo há morte nesta terra».

Nấo perturbes a fragilidade da sua constituiçấo, nấo quebres os espelhos,

nấo amedrontes nem dor motives à terra: os nossos rios sấo a sua cintura

e todos, vós outros e nós outros, somos os seus filhos. Nấo lhe tireis a vida.

De aí a pouco poremo-nos de caminho. Tomai o nosso sangue e deixai-a

tal qual é:

O mais lindo que escreveu Deus sobre as águas

para Ele e para nós.

Ouviremos atentamente as vozes dos nossos avôs nos ventos e escutaremos

latejos nos botões das nossas árvores. Esta terra é a nossa mấe,

toda ela santa, pedra por pedra. Esta terra é uma cabana

para os deuses que com nós moraram, estrela por estrela, e que para nós alumiaram

as noites da prece. Temos caminhado descalços para apalpar a alma dos seixos

e andado despeços para que a alma do ar nos cobra com mulheres

que nos devolvam os presentes da natureza. A nossa história era a sua e o tempo tinha

um tempo para que nascêramos nela e para retornar dela para ela, restituindo à terra as suas almas

aos poucos. Custodiamos nas jarras a lembrança dos que amamos

com o sal e o azeite. Penduramos os seus nomes nos pássaros dos regatos.

Éramos os primeiros. Nấo havia telhado entre o céu e o azul das nossas portas.

Nenhum cavalo pastava a erva das nossas gazelas nas pradarias. Estrangeiro nenhum

as noites das nossas mulheres trespassava. Deixai a flauta ao vento, que chore

polo povo deste lugar ferido que amanhã há chorar por nós.

Amanhã por nós chorará.

 

V.

 

Ao nos despedir das nossas lareiras nấo devolvemos a saudaçấo. Nấo nos ordeneis

os mandamentos do novo deus, deus do ferro, e nấo pedais

um pacto de paz aos mortos. Nấo resta nem um de vós

para anunciar-vos a paz de si para si e com os outros. Lá

mais teríamos vivido se nấo houvesse sido pelas espingardas inglesas, o vinho francês e as febres.

Como há que viver vivíamos, na companhia do povo da gazela.

Cuidadosamente guardamos a nossa história oral e entregávamos as boas novas com inocência e margaridas.

Vós tendes o vosso deus e nós o nosso, vós tendes o vosso passado e o nosso nós. O tempo

é o rio, e se reparamos no rio, em nós o tempo chora.

Nấo lembrais um pouco de poesia para deter o morticínio?

Nấo nascestes de mulheres? Nấo mamastes, como nós,

O leite da saudade? Nấo pusestes, como nós, ás

para vos unir à andorinha? Nós anunciamos a primavera. Nấo tireis da bainha as armas.

Ainda poderíamos trocar algumas dádivas e algumas cantigas.

Aí estava o meu povo. Aí jaz meu povo. Aí estão os castanheiros

que escondem as almas do meu povo. Meu povo há retornar em ar, luz e água.

Conquistai a terra da minha mấe pela espada, mas nấo assinarei

o pacto entre a vítima e o seu assassino. Nấo assinarei

a venda dum palmo de espinheiro em redor dos campos de milho.

Sei que me despeço do último sol, que me envolvo no meu nome

e caio no rio. Sei que retorno ao coraçấo da minha mấe

para seres tu admitido no teu século, senhor dos brancos. Ergue sobre o meu cadáver

as estátuas duma liberdade que nấo devolve a saudaçấo e cava a cruz de ferro

na minha sombra de pedra. Montarei devagar aos cimos do canto,

ao hino do suicídio das comunidades na ocasiấo em que acompanhem a sua História à distância.

Libertarei nelas aos pássaros das nossas vozes. Venceram aqui os estrangeiros

sobre o sal. O mar misturou-se com as nuvens. Venceram os estrangeiros

em nós à casca do trigo e dilataram as linhas do telégrafo e a corrente eléctrica.

Aqui o falcấo suicidara-se de tristeza. Venceram-nos aqui os estrangeiros

e nada restou em nós no tempo novo.

Evaporam-se aqui os nossos corpos, nuvem por nuvem, no espaço.

Aqui cintilam as nossas almas, estrela a estrela, no espaço do canto.

 

VI.

 

Decorrerá um longo tempo antes que o nosso presente em passado se converta, como nós.

Haveremos marchar primeiramente para a nossa morte. Defenderemos as árvores que nos cobrem

e o sino da morte. Uma lua que desejamos no alto das nossas cabanas defenderemos

e o aturdimento das nossas gazelas. A argila da nossa cerâmica defenderemos

e o nosso plumấo na asa das derradeiras cantigas. De aqui a um bocado

edificareis o vosso mundo acima do nosso. Projectareis o caminho dos nossos túmulos

em direcçấo à lua artificial. Este é o tempo das indústrias,

o tempo dos metais. O champanha dos poderosos nasce do carvấo.

Há mortes e colônias, mortos e calcadores, mortos

e hospitais, mortos e radares que vigiam os mortos

que mais uma vez morrem na vida e mortos

que após a morte sobrevivem, mortos que ao monstro das civilizações ensinam a morte

e mortos que morrem para transportar a terra sobre os restos.

Ó, senhor dos brancos, para onde levas o meu povo e o teu?

Rumo a que abismo leva à terra este robote armado até os dentes de aviões

e porta-aviões? Em direcçấo que muito extenso abismo vos elevais?

Tudo o que desejeis vosso é: a nova Roma, a Esparta da tecnologia

e

a ideologia da loucura.

E nós, fugiremos dum tempo para o que nấo preparamos ainda a nossa idéia.

caminharemos para a pátria do pássaro, como uma bandada humana de precursores.

Olharemos a nossa terra desde os calhaus da nossa terra, desde os furados das nuvens,

Olharemos a nossa terra desde as palavras das estrelas. Olharemos a nossa terra

desde o ar dos lagos, desde a penugem do tenro milho, desde

a flor das campas, desde as folhas do álamo, desde todo

quanto vos assedia, brancos, mortos que falecem, mortos

vivos, mortos que voltam à vida, mortos que espalham o segredo.

Outorgai um prazo à terra para que diga a verdade, toda a verdade

sobre vós

e sobre nós,

sobre nós

e sobre vós.

 

VII.

 

Há mortos que adormecem nos quartos que edificareis,

há mortos que visitam o seu passado nos lugares que demolis,

há mortos que passam sobre as pontes que tendes de construir,

há mortos que aclaram a noite das borboletas, mortos

que chegam à alvorada para tomar o chá convosco, tão tranqüilos

como os deixaram os vossos fuziles. Consenti, convidados do lugar,

alguns escanos livres aos convidados para que vos leiam

as cláusulas da paz com os mortos.

 

 

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Imagem gentileza de محمود درويش.. “حي” في حضرة الغياب

http://www.skynewsarabia.com/web/images/2012/08/09/38611/1200/676/1-38611.jpg

 

 

[1] Alguns dos seus irmãos têm-se convertido em escritores de sucesso: Ahmad é ensaísta, Zaki escreve narrações curtas e Ramzi também é poeta.

[2] Yubran Jalil Yubran, Mikha´il Nu´ayma, Iliya Abu-Madi, Nasib `Arida são os poetas que conformam o que se chama al-Rabita qalamiyya (A Liga Literária) constituía em Nova Iorque na tarde de 20 de Abril de 1920 em casa do poeta Yubran Jalil Yubran (Vede: Cuatro autores de la “Liga Literária, Rosa-Isabel Martínez Lillo, Ed. Cantarabia – Deartamento de Estudios Árabes e Islámicos y Estudios Orientales. U.A.M. – Proyecto Mahŷar / Al-Andalus, Madrid, 1994)

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José André López González

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